A forte correlação entre desenvolvimento econômico e infraestrutura de transportes tem sido o ponto de partida de muitas investigações na academia, que busca através destes estudos responder demandas da sociedade. O planejamento de transportes, que em essência está intrinsecamente relacionado ao uso e ocupação do solo e ao planejamento territorial, sente, no presente, os reflexos da obsolência de metodologias incompatíveis com o atual estado da arte.

No planejamento de transportes a literatura enfatiza a importância da integração entre componentes ambientais, econômicas, sociais, político-administrativos e legais. Ocorre que as políticas públicas e as normas ambientais que regem atualmente o processo de planejamento de transportes e de uso e ocupação do solo são mais abrangentes e complexos quando comparados ao praticado no passado. No panorama atual, o planejamento de transportes requer participação pública e flexibilidade por parte dos stakeholders, o que demanda elevado grau de coordenação entre os gestores públicos, gestores de transporte e a sociedade. A resultante é o aumento expressivo no volume de variáveis, de valores e de opiniões envolvidos no processo de tomada de decisão. Como implicação, o aumento dessas variáveis afeta a qualidade, o tempo de execução e o orçamento dos projetos.

Embora o cenário nacional para implantação de infraestruturas de transportes seja promissor, o governo não se encontra aparelhado por instrumentos e recursos humanos adequados ao propósito. O planejamento de transportes carece de ser modernizado. O volume de dados e de variáveis atualmente envolvidas no planejamento de transporte não é mais compatível com os processos tradicionais de tomada de decisão e desenho dos projetos.

Neste contexto, o geoprocessamento passa a ser peça fundamental no planejamento e gestão de transportes. A necessidade de disseminar o emprego de inteligência geográfica para planejamento e gestão em transportes voltado a gestores públicos e privados é a justificativa maior da realização do evento proposto.

Propósito do Evento

• oferecer uma plataforma para apresentação e debate sobre os desafios para a gestão e planejamento das infraestruturas de transporte em escalas Federal, Estadual e Municipal;
• demonstrar estudos de casos, desenvolvimentos acadêmicos e parcerias interinstitucionais com potencial para suprir as demandas do setor;
• estabelecer um ambiente para captação de oportunidades de desenvolver parceria em pesquisa e ações de extensão entre a academia, governo e iniciativa privada.

Geoprocessamento e Planejamento de Transportes


A demanda por metodologias para modernizar o planejamento de transporte é notória, e o geoprocessamento é a peça chave para integrar as inúmeras variáveis espaciais desse processo. No entanto, ocorre que a consolidação do geoprocessamento como instrumento de análise e modelagem de infraestrutura de transporte é algo ainda pouco explorado fora do ambiente acadêmico. A complexidade das variáveis no processo de planejamento de transportes e sua interação com a cobertura e uso do solo requer o emprego de modelos computacionais para apoiar a tomada de decisão. Embora o planejamento de transportes utilize de geotecnologias, o processo ainda está aquém do efetivo uso da capacidade de modelagem e análise espacial existentes em plataformas de Sistemas de Informações Geográficas (SIG). Com isso, pouco progresso tem sido notado no sentido de incluir informações contextuais do espaço geográfico influenciado pelo corredor de transporte.

No Brasil, o momento é vital para que se concentrem esforços da academia voltados à pesquisa científicas possibilitem o desenvolvimento tecnológico, bem como projetos de extensão para a transferência do conhecimento aos órgãos públicos e setor privado. A necessidade de recorrer a modelos de predição de cenários que utilizam análises geográficas se dá em todas as escalas de projetos de infraestrutura de transporte:

• Na perspectiva local, por exemplo, mobilidade e logística urbana, assim como a dinâmica das mudanças de cobertura e uso do solo em meio às complexas variáveis geográficas urbanas e seus relacionamentos são elementos que dão suporte a modelos de predição para qualificar e quantificar o crescimento urbano;

• Em escala regional, a interação entre centros urbanos, por exemplo, pode ser investigada de forma complexa e abrangente através da espacialização de pólos geradores de viagens, sazonalidade e frequência, padrões de cobertura e uso do solo e índices socioeconômicos em ambiente integrado de redes em SIG para a elaboração de matrizes OD ou suporte a políticas públicas, modelos de desenvolvimento econômico e as políticas públicas;

• Na escala macro, por exemplo, com a implantação e uma infraestrutura logística eficiente, é esperado que ocorram movimentos de instalação ou migração de indústrias e setores agrícolas, devido a facilidade oferecida para escoamento nas regiões diretamente ou indiretamente servidas pela infraestrutura de transportes de alta capacidade. Predizer tais cenários a ponto de qualificar a quantificar as mudanças socioeconômicas e biofísicas não é uma tarefa simples. No entanto, haverá implicações ambientais, sociais e econômicas, as quais ainda há tempo de serem levantadas, estudadas e modeladas.